quarta-feira, 23 de abril de 2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
HAGESHII
Aikido é estar conectado com o outro.
O princípio é o da amizade.
Conectar-se com o outro é compreender
o movimento que ele nos impõe,
para nos movimentarmos com ele.
Abandona-se o "eu quero" e passa-se a praticar o "estar presente" (hageshii).
Se vier um abraço,
abraço com ele;
uma dança,
danço com ele.
Esvazio-me até que ele perceba
que o único lugar que interessa é o de estar para o outro.
Não se trata de "ser".
Quem diz que "é" solidifica.
Trata-se de "estar".
Quem "está" mobiliza, circula flexível...
Porque tudo que é flexível é jovem é novo.
Tudo que enrijece está condenado a sua ruína.
(Quem nos dera termos de volta a flexibilidade das crianças?)
O que é flexível reconhece a verdade da vida: não há verdade alguma.
Há que se compreender isso.
Estar sempre compreendendo,
sempre entendendo de novo e de novo e novamente...
Não se trata de concluir
(quem conclui é a morte!)
Trata-se de viver entendendo.
Daí é caminho
Daí é Aikido.
______________________________________________________________________________________Quem diz que "é" solidifica.
Trata-se de "estar".
Quem "está" mobiliza, circula flexível...
Porque tudo que é flexível é jovem é novo.
Tudo que enrijece está condenado a sua ruína.
(Quem nos dera termos de volta a flexibilidade das crianças?)
O que é flexível reconhece a verdade da vida: não há verdade alguma.
Há que se compreender isso.
Estar sempre compreendendo,
sempre entendendo de novo e de novo e novamente...
Não se trata de concluir
(quem conclui é a morte!)
Trata-se de viver entendendo.
Daí é caminho
Daí é Aikido.
Inspirado no vídeo: https://www.facebook.com/photo.php?v=645588345516453&set=vb.226565710752054&type=2&theater
Imagem retirada de: http://members.aikidojournal.com/public/is-o-sensei-really-the-father-of-modern-aikido/
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
A VIDA, A ONDA ... O IRIMI NAGUE
Para tia Sol, Para Gabi e Para Caio
Esse mar conta uma história
eu, ela, nós e tu
Cada ponto, cada vírgula
a onda é reticências
O Mar é crônico
janelas paralelas quebrando
na minha cabeça
Esse mar me conta suas histórias
de eu a tu a nós
E a vida é crônica nas suas espumas
Salpica como semicolcheias que me convidam:
assim nascerá
a última sereia
Na boca do mar eu não sou eu
você não é você
somos somente nós
que se desatam em névoa
efêmera e se levanta
Castro Alves me dizendo: são espumas flutuantes,
meu rapaz
As ondas precisam dizer a nós,
e o que devemos fazer
- por respeito ao mar!-
é nos desatarmos
o mar nos relembra nas suas ondas...
Que a vida se faz pela fúria
Ingênuo quem supõe a vida
sem a bondade serena e generosa
da fúria
O mar é uma lâmina
afiada, uma revelação
indomável em que a cada
braçada, a cada respiração há
uma presença arrebatadora:
a da escolha
Aceita-se que venha, ainda
que nos tome de assalto
- é a vida - ainda que não haja
fôlego, ainda que pensemos
não mais ser possível
a última das nossas ações
E na queda, a onda quebra
não pode ser depois
e não pode não ser
ejaculação da vida
no momento exato infalível
e instantâneo...
E mostra-se apenas espuma
A vida é apenas uma respiração
breve, entre a primeira onda
e a próxima
Para além da fúria da onda,
só existe a leveza...
A espuma.
Toc Toc pequeno, verão de 2014
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
PARANUNCA
Música própria - Paranunca
(Uma canto de amor à minha Teleca Hurricane)
O poema Paramóvel colou na cabeça. Era preciso expressar a sua música em música mesmo (a poesia deveria ser completa, deveria falar por si... Se a música do poema não da conta de si mesma - e precisamos de uma música que a re-decodifique - então temos um poema ruim? Temos uma música?)
Bóris Laobarenko, músico, sacerdote, poeta, filósofo, arquiteto, mas acima de tudo geômetra gimnopedista (isso engloba aquilo tudo) disse que conseguiu fundir o que eu só sei confundir: a música Paranunca com o poema Paramóvel. Estou curioso. Mestre Laobarenko sabe o que compõe. Sempre irretocável e místico.
(Acho que a religião existe prá isso: para fecundar a poesia e a música)
Óbvio que não é apenas um canto de homenagem a minha guitarra telecaster, (e não é apenas: um guitarrista sabe que a guitarra é um instrumento, por isso é sempre um tótem: é o instrumento que conduz a magia desse poético)... Du Pedrassi sabe bem disso.
E assim é também um canto de amor por essa coisa selvagem denominada poesia, que eu não intendo, não intendo...
Venho experimentando a poesia sem entendê-la, o que não significa não trabalhá-la. Ambos os poemas - Paramóvel e Nênhepoesia - foram escritos há um bom tempo atrás, acho que em julho. Ficaram fermentando, decantando no desktop até que seu sentido soasse doce e salgado, estranho como sabonete...
...Sim. Eu já comi sabonete. Faz muito tempo. Mas o gosto é inesquecível.
Daí que a Fer Morais estranhou a forma, por assim dizer, nova. É que o conceito de forma sai de outro lugar, como num desejo de superar meus cânones... Sempre fui, como crítico, leitor de poesia do XIX. Foi com o doutorado e com meu amigo Marcos Siscar que comecei a entrar no que muitos denominam de poesia contemporânea (dos Poetas Marginais prá cá).
A sacada foi começar a perceber que não se póde, nem se pôde, ser poeta sem estar a par da margem, como o mendigo que mora debaixo da ponte. Poderíamos daí tirar uma teoria sociológica, Benjaminiana, talvez, de que isso implica na condição econômica que sobrevém da poesia. Quiçá.
Poesia é forma. Conteúdo é prosa. Ainda que ambos sejam também ambas as coisas. E se é forma, para ser verdadeira (verdade = sinceridade, como querem os japoneses: "Makoto") só pode vir de um lugar: de dentro. Mas não pode fechar-se para o que está fora: o leitor, o outro, o hipertexto, o suporte...
Se vem de dentro é música e é preciso escrevê-la como que numa partitura (ainda que eu não saiba escrever partituras... Minha poesia é música incompleta? Eis outra tese possível.)
Que venha de dentro, que saiba de fora, estando forma à margem, em busca de pontes até que de perto veja que o fora e o dentro não sejam dois lados, mas o mesmo visto de outros ângulos...
Daí Guimarães Rosa: a Terceira Margem,
Daí Lenine: Como faz pra sair da ilha, pela ponte, pela ponte (para depois se beber nas águas da fonte).
É meu novo jeito que é o mesmo mas agora entendendo que se a poesia só pode ser poesia porque propõe um lugar específico de onde se olha e se lê o mundo, daí que toda poesia é necessariamente um software que denominaríamos "filosofia"...
... E a filosofia quando não é poesia é também filosofia, mas é menos. (Provocações aos amigos teóricos da literatura e filósofos... Mas o Paulo Morgado e o Ricardo Carpin vão certamente curtir a sacada... rs).
(Se cito muitos amigos, é sem demagogia: é que eles me recriam, neles descubro quem sou... Tenho amigos tão generosos que sabem ser inimigos. Sorte minha: são inimigos íntimos, quando a compaixão não se confunde com mitigação).
Só.
Na dúvida, a música.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
NÊNHEPOESIA
é-me absurdo o não escrever
de poesia
de poesia
se
cada vez que decido
levanto
levanto
um
copo de água
depois
ia
em
baçar-me
me anticorpando todo
me anticorpando todo
até
que não reste nem 3
do
nenhum que sou
eu
não quero
eu
não quero
(só
falta 1)...
tenhum rádio na
cabeça
e
solta a música
não
solta
sol
ta
sentado
à porta
um
compondo um blues
essa
nota
essa
nota
nota
ainda bem que é tarde, se cedo fosse haveria escolha: o jeito
agora é esse nenhum mesmo que canta na cabeça trilha sonora da solidão que
minha vida
eu
não quero
eu
não quero
(agora,
sim, a rima)
me
mata
–
vai, me mata
eu
só tenho a música
bem
imbecil
(agora
tá coerente)
não há mais chance
ká-ya/chã-se
seja rã e lã-se
relã-se
como quem pisca em dados
eu
e essa mania
de
achar que não...
–
isso ainda me leva!
eu não sei
escrever, agora me deixa! que saco, porra!
não
há lógica aberta nem minha, nem tua, lógica é fechada minha lógica está fechada
porque 6 funcionários estão em greve, porque não vende e porque o ponto é ruim.
Tá
bom,
vou
comprar 1 kg e 400as prá por na massa
antes
de salgar o feijão
aí eu quero ver
aaaaaaaa eu quero ver
neguinho pará de frescura
e querer colherada
1
kilo e meio de método!
meu
deus! com esse dinheiro eu comprava uma guitarra nova
PARAMÓVEL
é sempre a
mesma coisa e não para nunca é sempre a mes má coisa enão para nunca esse empre
a mesa à coisa não paranunca nenhé não a messa essa laça que nem-me eu paro a
tua nuca e que mesa que não para me tua que nem que minha fosse tua aí sim, ai
meu deus qui há-há-há que é essa nessa que nunca luta
S O C O R R O
ponto briseis
o eterno
ponto aquiles
eu juro juro
juro que nunca mais, num camais, nunca, mais, nunca, mais, num ca mais a tua
poesia não é minha é tua e essa mexa mosa, massa, maça, mesa, mesa, alguém me
méda antes que o medo, que medá, me meça que merda alguém para à mesa, para a
brisa, para raio, para peito, para quedas, para fixo, para fuso, para luto,
para barro, para carro, para cada palavra que lato, lata, ato
se briseis à quiles
fato
para nada
para
além
para
é sempre a mesma coisa
além
para
é sempre a mesma coisa
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Homenagens a EU de Augusto dos Anjos
Dia 3 de maio de 1907 Augusto dos Anjos fez um poema denominado "Gemidos de Arte". Ele publicaria o texto dia seguinte, se não estou enganado, no jornal da Paraíba denominado O Comércio. Não há, pelas minhas pesquisas até agora, rastro seguro de sua primeira publicação, minha suposição se baseia na citação que o poeta faz, em outro poema de sua única obra Eu (1912), denominado "Tristezas de um Quarto Minguante" (Este, sim, datado documentalmente por Francisco Assis Barbosa, em trabalho de pente fino das publicações do poeta em "Edição Crítica" (F.A. Barbosa faz um quadro de cada poema encontrado em qual veículo originalmente... Palmas para o cara!)
Há muito mais a falar sobre os poemas da obra EU. É o que estou fazendo rumo à minha Tese de doutoramento. Por hora, seria injusto deixar passar o dia como aquele em que Augusto fez o poema "Gemidos de Arte", exatamente sexta-feira, 03 de Maio de 1907...
Há muito mais a falar sobre os poemas da obra EU. É o que estou fazendo rumo à minha Tese de doutoramento. Por hora, seria injusto deixar passar o dia como aquele em que Augusto fez o poema "Gemidos de Arte", exatamente sexta-feira, 03 de Maio de 1907...
Essa é minha responsa, isso é o que devo fazer: como entender "aquela" poesia, do lugar dA poesia, da nossa sexta-feira 03 de maio, 105 anos depois daquela. Ou melhor, o que a poesia feita lá, nos diz sobre Poesia, para nós daqui.
Estudar poesia é desafiar a morte. No meu caso, com o poeta da vida, de uma certa desvolução para que se possa a vida.
Enfim aqui, minha singela homenagem aos mais lindos versos de minhas insônias.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
FUDEUS
(Para Du Bonfá)
Trata-se, trata-o
para que nos retrate.
Para que os nós, retrate.
Para.
E que nos rearte.
Há uma gota de reza em cada
poema.
Mas só se espera da reza, séria,
sua divirgindade profanada.
É preciso ser ateu para ler
o homem em deus,
dissecar o cadáver d´eus.
Se não o cadáver seca.
E num cada ver seco
não se pode da música ouvir.
Por isso os bons deuses todos
devem
Ser comidos, comigos.
Réquiem Nódulos Operandi
– O poeta, sem modos,
saiu regulando, entrelágrimas,
Versos seus de dente ar dente.
Quem dera fosse mesmo o amor
maior que as palavras
para que em toda boca grávida
parisse deuses de primavera enfim
Mas e da plataforma as pessoas preferiram
vender sangrar suas asas
em holocausto do conforto do solo
– solo, era um barco à deriva...
Pronto, aberto o selo, restava
surgir Edires, Waldomiros, fazendo sinos Soares
e da sala de jantar, no congresso
corte-idiano decidiram ser a culpa dos nós.
Abandonaram a poesia.
A educação pela noite.
O fantasma da verdade que mora no
atrás da palavra,
duvida do canto na boca, pés descalços...
Meu deus não havia pés descalços
no dia daquele julgamento e tiveram a cara de pau de dizer não era nossa culpa
Mentira! Mentira! Filha da puta...
Um fantasma no conto da língua,
Um fantasma no gancho do tempo,
No fogo de um curupira que fosse,
Na singela hora única de um
langolier
Tomaram a ciência contra o peito –
irmã caçula enjeitada das tetas gordas das hostes últimas máximas potestades –
e chegaram ao absurdo de com ela fornicarem formigando o mundo até que chegasse
Ufa, o anjo do apocalipse tocando suas trombetas de cherry-coke e rodelas de
limão.
Os Edires Waldomiros que Soares
são mensageiros,
são indicadores termômetros de perussadias
no peito do deus morto
De que o dia dos justos que tem
seus nomes gravados no livro
já ruge...
Glória! É que a chapa é quente!
Creiam na reza que reza rosa
Descabelada no útero santo de
cada palavra profana
Que o tempo ruge,
Crede na poesia,
Crede,
irmão, na Puta-Mãe Escancarada do Verbo
que só
ela,
só ela,
nos salvará!
(E sarava!)
Marcadores:
Imagem de: http://naofiquesao.blogspot.com.br/
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
A CHUVA
A chuva
lava, leva, livra, louva, luva. Cada gota anuncia dúvida:
quanta dor
cabia em cada junta. Junta a dor, junta a luta
(a garganta
raspava rústica no céu da boca).
E, pântano
de areia, fundo aspiro puxando catarro
parâmetro pedra,
teia: era ferrugem do som, um ácido.
E veio a
chuva,vulva, languidando o sol de verão: vívido cabaço.
E veio que
nem moça nova, gozo de virgem, sonho de puta
no altar.
Era forte, era jorro, era um jato de gozo, engasgado
e denovo era
teso era um arco e uma flexa era um poço no ar.
Tive medo,
tive medo. O desejo no susto, no espelho, abrupto.
Resultado da
reza de muito, três passarinhos na eletrola de um mudo.
No mundo era
o eu do eu meu deus e eus verão...
A-coado,
A-sustado, A-coitado eu lavei meu perdão
um pouco. Inverno,
inferno: era sonho do céu ejaculando
um ovo cada sonho
que tive denovo
... “Oh
chuva, vem me dizer,
se posso ir
lá em cima prá derramá você”.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
TRÍPTICO DA CONTEMPLAÇÃO (o rio que passa atrás de casa)
Pássaros
Passarinhos melhor cantam quanto mais há sede.
Daí vem a drosófila (um
deus-filosofia que nasce
da banana) galgando floco a floco que cada oxigênio
desvisto: foram só umas retinas.
Na doença da árvore cada passarinho preto é uma
sombra que pousa na
pintura.
Pintura não é – Que pena! – (fosse um quadro, era Renoir).
Bimotor
Austero é o ronco do ventilador: Supererói
tentando a todo vapor
contra Gaia-Mãe (não
existem tomadas nos troncos das árvores).
Não há facilidades na solidão, (nem nos regimes)
mas o Sol gritando em
soslaios na árvore (aquele
passarinho preto, lembra?)... ah o Sol grita de
susto que pula-pena, pula regime segunda – (que pena!) – feira.
Bastava uma sacolinha que fosse (daquelas no
bolso prá cocô do
cachorro): metia a cena dentro
e corria pro rio – E salvava a piracema!
3ª Margem
Perguntaram pro veio como que se deitava as
regra de dentro da cabeça.
Disse quando a gente
deita, a regra vem e deita junto Daí a gente
levanta
mansinho prá pegá as regra dormindo, de
surpresa.
Tentaram. Deitaram e as regras. Mas esquecendo
de levantar, dormiam
com as regras e o cocoricó
da segunda.
Procuraram o veio. Reclamaram, reclamaram que
nunca dava certo. E o
veio entrerrisos pergunta
“O que num deu certo?”
Envergonhados, não fizeram mais perguntas. Dias
depois voltaram
(trôxas e trouxas) É mais um
puxado no meio do rio.
Marcadores:
Para Marcos Siscar e Luís Fernando Amstalden
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
E-coação
O café não
me desce,
Quantas
verdades cabem em meias palavras.
Quantas
maldades em meus sorrisos amarelos.
Quantas
cores cabem num tom pastel.
O café não
desce,
Quantum
verdade de uma palavra.
Quantum mal
um dente podre.
Quantum
lápis pinta meu só.
Na física
quântica da minha vida,
Cântigas
vezes nem fiz, a lição de casa
Na rua da lamargura
de cada dia.
Fiz um café
novo denovo, um ovo
De Colombo
sabemos de ovo:
É onde escada
essa canção.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
MOROTETORI
aprender
com o inimigo?
Qual é o
lugar em que a ofensa não existe?
– No coração que é leve.
E quando
ofendem nosso coração?
Aí me
pergunto:
– Meu coração é leve o bastante para não
carregar ofensas?
Se a dureza
dos outros nos magoam,
eu me
pergunto:
– É, meu coração, tão flexível?
A dureza é
amiga de tudo aquilo que quebra.
Duras são
as juntas dos enfermos,
flexíveis
as do jovem.
Mas não
choram, as crianças, quando caem?
Mas choram de
susto,
raras vezes
sentem dor.
Quantas
vezes ainda somos crianças?
Mas crianças
de corações duros?
Se todo
golpe é um presente,
toda
energia é uma dádiva...
Por que a
desprezaria?
Por que a
recusaria?
Sou fraco, e
assim não posso...
Ou sou
fraco porque não quero?
Se o golpe
é assim tão forte,
porque ele não
passa suave?
...
deslizando ao lado: suave nas águas do lago,
...sempre em
paz?
Se o
coração é leve,
posso ver,
sem sustos,
na clareza
da verdade de que a vida é somente o nada,
e que não
há golpe algum.
Toda
energia passa,
eu passo e
tudo simplesmente passa,
E só o nada
é estável.
Porque não
há nada para acertar.
Não há nada
para revidar.
Se tua
força cai sobre mim,
que eu a
veja, que eu não a recuse,
mas que eu
não a tenha: não é minha.
Se tua
força é assim tão grande,
pois que
passe como a chuva,
pois que,
tempestade, lave meu rosto
e molhe
minhas plantas,
Mas que eu
não a contenha,
porque não
posso ter o que não é meu.
Saber do
não ter da vida,
porque
viver é ver o tempo nos perder,
desapegar-se
tanto,
A ponto de
deixar que a energia passe,
Para deixar
que a vida flua.
Isso é
aikido.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
A Vida é Doce
um cada-
ver em flor.
Se essa rua fosse minha
eu era, denovo, mais um maldito
burocrata em círculos.
Todos os dias regurgitando
O óbvio, o górdio, abrolho
dessa situação.
Hoje eu descobri:
a fúria era medo
era ódio
era alvo de mim
era o target eu
Nada fiz que remediasse
fiquei lá chafurdando o
arroz com frango na cara
como um animal
como a besta-fera
dilacerando a lebre, torpe
em medo
A lebre era eu.
Na hora me veio
o gosto de aço à boca
era a faca cega da mesa
Rasgando de ponta a ponta
meu bucho
Expondo minha carne,
anunciando tripas ensanguentadas
Tagliarini
No shopping center do ódio
eu passeava, vistoso,
escada rolante
Sozinho.
As vitrines passam como navalhas
São cenas de toda a destruição que eu causaria a mim
e a quem amo, se cada navalha
– como uma bomba –
se cada garfada
– como uma bomba –
se cada berro de dor
– como uma bomba –
Seguisse seu rumo
cego
– era aquela faca em cima da mesa –
E cortasse esse maldito filme
Que me atropela enquanto
as sirenas na rua ficam ao por do sol cantando
os The saints go marching ins,
os Mrs. Robinsons,
os Dominique nique niques
Dormir sem sonhar
O mundo é filme
em sépia pintado em tarantino
fankmiller
O meu sangue é vermelho
O sangue no banho em normanbates era chocolate...
E a vida...
A vida é doce.
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