
O Aikido é a doce arte na qual se aprende a amar o chão.
Reconhecer o solo como textura, como doçura: o aikidoista é o amigo do chão.
Quantas vezes as pessoas reclamam ou praguejam por suas quedas diárias? Entretanto, são as topadas e tropeços os grandes protagonistas de nossas vidas: são eles que nos trazem o imprevisto, que recortam nossos desejos de modo tão exato que transformam nossas mais ingênuas pretensões nas mais ásperas durezas do cotidiano. O dia-a-dia real é feito de tropeços, quedas, topadas.
Sem as “quedas” nossa vida seria ideal. E assim concluímos que nossos ideais estão errados, pois queremos uma vida sem “quedas”. Moramos num planeta, numa realidade que propõe duas questões inelutáveis: as coisas caem (chamemos gravidade), a vida finda (chamemos morte)... E vivemos uma vida que almeja vida eterna (quando o valor da vida é dado pela presença da morte) e esperamos um cotidiano que recuse os tropeços (quando é a queda que aponta o único e verdadeiro sentido para as coisas, a imprevisibilidade do chão).
Talvez haja, sim, nisso tudo, algo de oracular, já que é do solo que surge a vida. A gravidade é a força mágica que a todo o tempo nos aponta de onde viemos e para onde voltaremos. A vida é um fenômeno que parte do solo; se biblicamente temos que o homem veio do barro, concluiremos que foram necessárias duas coisas para a nossa vida: a terra (a massa mágica que constitui o chão) e a água (substância mágica que alimenta, que possibilita a vida, que cabe em qualquer canto, em qualquer vaso, que se adapta, que flui e, veja, sempre acompanha a gravidade).
O aikido é a arte de amar o solo
O aikido é a arte de aceitar o chão
Quem o chão aceita, vive com verdade a vida:
Não se vive a vida sem queda.
Quem o chão aceita vive com inteireza a vida:
Não se pode tudo saber só olhando para o céu.
Quem o chão aceita vive a vida plena:
Ser humano é se reconhecer nos percalços e nos tropeços da vida.
Quem faz aikido deve saber da queda,
Deve, na queda, encontrar-se.
Quantas vezes, de joelhos, a humanidade temeu os céus?
Mesmo em seiza, não percebiam a resposta:
Nem somente o céu, nem somente o chão...
O verdadeiro humano se faz como a água:
Flui entre a terra e o céu.
Fluir apesar da aridez do solo e,
fluindo, possibilitar a vida...
Isso é um ato de amor
Isso é Aikido
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Imagem colhida de: http://www.diburros.com.br/2009/06/aikido/ (Ao Marcelo Braga, muito obrigado!)
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